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Uma vez executiva, pra sempre executiva

Executiva é a mulher que ocupa cargo de direção ou de alta responsabilidade em uma empresa. É a função de quem executa, age, decide ativamente, exercendo cargo de liderança.

É mais ou menos essa definição de executivo que você vai encontrar fazendo um busca rápida. E foi essa posição que eu almejei durante boa parte da minha vida profissional. Alcancei a posição e estive nela por quase 10 anos.

Hoje eu sou cozinheira mas, curiosamente, continuo sendo executiva. Um tipo diferente de executiva. Um tipo que vem me agradando mais.

Sou administradora, planejadora, publicitária, gerente de marketing, produtora de conteúdo, gestora de redes sociais, mãe do Bento, dona de casa, dona da Cozinha Bendito, dona do meu trabalho, da minha empresa, da minha nova marca, do meu nariz.

Essa modalidade de executiva que eu descrevi pra você dá bem mais trabalho, como você pode imaginar. E não ter um alto salário garantido no fim do mês, um ótimo plano de saúde pago, seu INSS sendo depositado… não ter tudo isso dá medo, como você também deve imaginar.

Fora o status que, apesar da gente saber que ´ ilusório e no fim das contas não vale muita coisa, dá medo saber que o perdemos. Dá trabalho se acostumar, mas é uma delícia enfrentar certos medos, sabia?

Deixando os medos e as incertezas de lado, quero contar pra você sobre uma nova certeza que eu passei a ter nessa vida. Serei pra sempre executiva. Percebi isso depois de um evento que eu participei como cozinheira executiva. Tudo bem que eu inventei esse título, mas a ideia é essa mesmo.

Umas amigas minhas – mães lá da escola do Bento – combinaram um encontro nosso pra celebrar nossa amizade. Uma mãe sugeriu que a Cozinha Bendito servisse sopas. E lá fui eu.

Não somente preparei as sopas, como levei acompanhamentos, crótons quentinhos, dois tipos de patês e pães de  fermentação natural, uma manteiga de ervas maraaaa, parmesão ralado e temperos verdes fresquinhos e bem picadinhos.

Para as crianças, preparei talharim com molho bolonhesa, feito na Cozinha Bendito, claro.

Se gostaram?

Então. Vou falar só por mim.

Eu não sei medir essa coisa de felicidade; não sei dizer o quanto fiquei feliz em estar com minhas amigas e jamais conseguirei mensurar a sensação de reconhecimento, de sentir o elogio dentro do coração, de presenciar tudo isso ali, ao vivo, vendo as pessoas comendo, vendo as crianças satisfeitas com seus rostos lambuzados de molho.

O que eu sei dizer, com certeza, é que essa VidacomFarinha vem me deixando cada vez mais feliz. E perceber essa felicidade durante este evento foi mais um daqueles sinais que o coração manda pra gente dizendo: tá no caminho certo.

Portanto, meu amigo e minha amiga que leu este texto até aqui, se você precisar de uma cozinheira executiva para realizar um evento aí na sua casa, no seu salão de festas, na firma, no quintal, na varanda, na rua, na chuva ou na casinha de sapê, já sabe que a Cozinha Bendito tem mais esse produto.

É só ligar pra mim, me dizer o local, o número de pessoas e quais pratos do nosso cardápio você prefere que eu vou até você e executo. Afinal de contas, executar é comigo mesma.

Uma vez executiva, pra sempre executiva!

Um beijo!

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Afetividade genuína

A afetividade está em alta nas cozinhas. Muitos chefs tem a utilizado como apelo de marketing. Quando comecei a Cozinha Bendito, eu não tinha noção que estava entrando nessa moda.

Minha intenção era servir um alimento feito com amor, sem pressa, com ingredientes da época, frescos, in natura, sem industrializados e que remetessem a memórias da minha infância, às minhas memórias afetivas.

Assim, não teria erro: a energia, o amor e o cuidado no preparo não deixariam que a alquimia jamais falhasse.

Hoje eu cozinho profissionalmente e dizem que sou ótima nessa química. Mas é como eu disse: só consigo dar o meu melhor se o pedido estiver dentro do meu discurso (que não é só marketing). Daí vem aquela pergunta, “mas o que é essa tal culinária afetiva?”

Montei com todo cuidado um cardápio que traduz esse conceito. Bom, começamos pela canja de galinha caipira que a vó fazia quando se estava gripado e que tinha um sabor único e inesquecível. Provei todas as canjas da cidade. Congeladas, frescas… nada me emocionava ou me fazia voltar no tempo, dentro de minhas memórias de canja de galinha.

Comprei minha primeira galinha caipira num armazém bem querido perto de casa, daqueles que vendem tudo. Fui buscar pão e li uma plaquinha no açougue que dizia “galinha caipira”. Obriguei-me a pedir uma e começar a criar minha própria receita. Quase tive um treco quando o moço me entregou a galinha. Era gigante! Estava cortada, refrigerada e veio com tudo… com os pés, com os miúdos, tudo!

Olhei para ela e comecei a pensar em como fazer. Separei cinco porções que serviriam para teste. As cenouras também receberam cortes diferentes, afinal, eu tinha que descobrir como extrair o melhor de cada ingrediente a ponto de tornar a minha primeira canja a canja da vó.

Testei tipos de arroz, testei a cocção em pressão, em panela. Testei, testei, testei. E no dia que me emocionei provando a sopa escrevi a receita imediatamente. E a canja estava pronta pra ir pra rua, direto para o coração dos meus clientes.

E foi exatamente esse processo que segui para seguir o sabor das sopas e dos molhos. O caldinho de feijão que somente sua mãe sabe fazer, aquele com gostinho leve de feijoada, bem temperadinho. O Caldo Verde que era servido todo sábado à noite, quando a família estava reunida – aquele bem saboroso, que vem com uma linguicinha junto.

O creme de milho da tia. Ah, esse creme de milho… Eu ajudava a colher a espiga e tia arrebentava no preparo. Minha mãe nunca conseguiu fazer igual. Mas eu consegui.

Este é o meu conceito de culinária afetiva. É despertar lembranças por meio do paladar, trazer emoção ao ato de comer, é servir amor em forma de alimento. Se tem amor enquanto eu preparo, pode certeza que vai chegar amor ao prato de quem come.

– Mas você faria um pato confitado ou um mignon ao molho madeira, Rafa? – é o tipo de pergunta que tenho ouvido, às vezes.

Não. Infelizmente, não, gente.  Não posso simplesmente porque não consigo. Eu cozinho o que acredito, o que me toca. Não consigo levar amor se não houver amor no preparo, na escolha dos ingredientes, uma história por traz da receita.

Como pode-se notar, sou uma cozinheira meio sentimental. Se não me toca, não quero proximidade.

E assim eu sigo cozinhando, produzindo, seguindo meu coraçãozinho mole, meus sentimentos e meu feeling – que é o que mais tem me conduzindo agora, já que até hoje não concluí meu plano de negócio. Às vezes, a gente precisa primeiro ouvir o coração e respeitar as vontades dele do que fazer o que as cartilhas dizem ser o certo.

 

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Nhoquelet (outlet de nhoque)

Mesmo com toda a minha experiência no ramo das batatas, farinhas, ovo, noz moscada… ainda me pego sendo surpreendida por uma ou outra receita que não deu certo. E quer coisa mais gostosa do que o inesperado que nos aguarda a cada esquina dessa vida?

Posso repedir mil vezes a mesma receita, mas o produto final nunca se repete. Nunca uma batata é igual a outra. O clima, a terra, a mão do agricultor, a mão de Alguém lá em cima, a genética, a colheita, o tempo de exposição em prateleira.

Multiplique isso por todos os tipos de batata que você conhece (e você não deve conhecer todas) e me diga: como garantir que fique sempre igual?

Sempre peço dois dias dois de prazo para entregar uma encomenda de nhoque porque vira e mexe eu perco produção por causa desses imprevistos. E também porque agora eu sigo um cronograma e uma metodologia para produzir. Coisas de quem vem se profissionalizando, sabe?

Empreender começou como uma brincadeira. Foi quando fiz alguns nhoques para os amigos e familiares. Agora virou coisa seria, ao ponto de eu só comprar batata quando o meu cronograma diz “ora de comprar batata”. Antes era tudo festa. Dava vontade de ir feira, eu ia. Muita coisa mudou. Uma brincadeira virou ofício. O desafio é manter o ofício com cara de brincadeira gostosa. Nesse processo, muita coisa a gente precisa aprender a fazer direito. Por exemplo, cuidar das batatas.

 

Erros comuns que, enquanto a gente brinca, ninguém ensina pra gente:

  • Cozinhar batata sem a casca – isso permite entrada da água do cozimento e ela fica aguada;
  • Cozinhar demais a batata – vira um purê aguado;
  • Fazer tudo certo e na hora de amassar a batata você descobre que ela é granuladinha – perde a produção;
  • Tudo certo outra vez, mas você não deixa a batata amassada esfriar e já vai juntando a farinha –  aqui a tristeza é infinita… o glúten faz a festa.

O que fazer quando dá errado? Minha #VidacomFarinha não permite desperdício, então, tive que achar um jeito de dar uso para toda a batata e massa que não ficaram boa a contento.

Lembrei que a Vó Neuza fazia um nhoque só com farinha e ovo e era isso. Ela ia soltando as bolinhas na água fervendo com uma colherinha e tudo certo. Era delicioso e nem batata tinha. Lembrei também que minha mãe aprimorou a técnica da Vó Neuza, comprando uma “nhoqueira” profissional. Gente, eu amava usar aquela ferramenta! Memória afetiva total!

E não é que num passeio em uma loja de mil utilidades domésticas eu vi aquele coisa linda, me chamando de gostosa e pedindo “me use!” Comprei, né? Lógico!

No dia seguinte deu pau em outra receita. Dessa vez, uma batata doce, aguada de nascença. Nem pra purê serviria, então, não tive dúvidas:

  • Batata amassada aguada que deu errado;
  • Farinha de trigo – o quanto for preciso;
  • Sal;
  • Não coloque ovo porque isso vai exigir mais farinha e, consequentemente, tornará seu ainda nhoque mais massudo e pesado;
  • Pegue essa mistura que talvez esteja fora de ponto não permitindo que você faça os rolinhos na bancada mas mesmo assim está apta para consumo. Coloque dentro da maravilhosa máquina de nhoque e vá brincando de tirar as bolinhas miúdas.
  • Tente não fazer muitos por vez para não grudar (porque se isso acontecer eu não sei como salvar.)
  • Tire as bolinhas assim que elas subirem na ebulição. Choque térmico numa água beeeem gelada. Reserve. Tá pronto.

Basta servir com seu molho de preferência!

Tenho doado bastante Nhoquelet e, claro, também consumido aqui em casa. É tão gostosinho, tão carinha da minha Vó Neuza… Essa receita não fará parte do cardápio da Cozinha Bendito, mas será sempre a queridinha dos bastidores!

Esse modelo era o que a minha mãe tinha… bem essa embalagem! Que saudadesssss!!!!

E essa é a minha! $19,90 na Milium… que tem de tudo! 


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