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Por mais afetividade no Dia Mundial do Combate ao Câncer

Esses dias uma história em Joinville/SC, cidade fofa onde escolhi morar… mobilizou todo mundo… e virou notícia nacional. Um jovem em tratamento da ala oncológica, literalmente fugiu do hospital para comer um hambúrguer, daqueles de rede de fastfood, sabe? Atravessou a rua, andou um pouco mais… e comeu. Comeu, comeu… com aquele gosto e vontade como se fosse sua última refeição. Depois voltou ao hospital para continuar seu tratamento com um alimentação apropriada, mas confesso que acho bem sem graça de sabor. Isso foi há umas 3 semanas… e ele faleceu semana passada.

Essa história mexeu muito comigo. E tenho certeza que se alguém já passou por isso, (ter um familiar ou amigo com câncer em último estágio), vai entender meu relato.


Meu pai foi diagnosticado com câncer avançado em setembro de um ano desses… que parece que foi ontem. Era no estômago e esôfago. Descobriu após se engasgar comendo uma refeição muiiiiiiiita afetiva preparada por minha mãe. Receitas da vó, mãe dela. Era galinha caipira com molho, macarrão caseiro com o molho da galinha… salada de maionese! E ainda tinha sobremesa… o sagu e creme, receitas da minha outra avó… a mãe do pai. Então pensa na refeição!!!

Ele operou e tirou os órgãos afetados. No período de recuperação ele usou sonda e perdeu totalmente o paladar. Isso pra mim doeu mais que um tiro no coração… Meu parceiro de aprontadas culinárias não sentindo sabor de nada? Gzeuis…

Os últimos dias de vida dele foi conosco, as três filhas. E mesmo sabendo que ele não sentia nada de sabor, ele nos enganava e pedia cardápios especiais. E a gente (eu), fazia! E na “mentirinha do bem”, todos ficavam felizes.

Na quinta-feira a gente deu chimarrão pra ele… na sexta cachorro quente (ele exigia ser a minha receita… a que sempre comida com muito gosto e prazer), no sábado ele fingiu comer a feijoada que tinha pedido no almoço… e na tarde daquele mesmo dia tomou um pouco de vinho. Por volta de 23h50… desse mesmo sábado, ele morreu.

Essa doença é horrível, é dolorida, machuca todos que convivem com o paciente, dói, dói… E até hoje não superei a perda do pai. Me agarro em algo que conforta meu coração… minha culinária afetiva sempre foi reconhecida por ele e fez parte dos seus últimos momentos de vida.

Mesmo em processo de partida, ele foi generoso comigo, muito generoso… foi como se dissesse… “filha, amo você, acredito em você, cozinhe, cozinhe… e leve carinho através da comida pelo mundo”.

E a Cozinha Bendito nasce anos depois.

Obrigada papys, o Cabeça Branca do Bento!!!

Rafa

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Dia da Mentira: mitos e verdades da Culinária Afetiva

Meu filho Bento tem seis anos, ele adora o dia 1º de abril. Espera ano após ano por essa data, o “Dia da Mentira”. Afinal, é quando ele “trolla” os primos que moram em Campo Grande (MS). Para eles, ah, é uma diversão única. Por isso, toda família se mobiliza para promover esses momentos imperdíveis e hilários.

Porém… confesso que bem diferente dos pequenos, eu não gosto naaaaaaaaaaaaada da data, desde sempre!!! Não gosto de pegadinha, não acho graça, me sinto tirada pra boba…Que chata eu, né? Diz o Bento que sou CHATONILDA.

Tá… e o que isso tem a ver com a Culinária Afetiva?

 

Me dediquei hoje a relembrar os truques que me contaram como sendo verdade e super válidas e úteis. Aquelas verdades de família, sabe? “Eu sei porque minha avó disse pra minha mãe que me ensinou… Eu li no Google, minha tia faz assim e funciona!!!”

Veja se você se enxerga em algum exemplo desses:

É possível não chorar cortando cebola. Mentira!!! Me ensinaram a colocar óculos (pode ser de sol…kkk), deixar um copo de água ao lado, pular 7x, cortar embaixo da água (não faço ideia como isso poderia dar certo)… Mito, mito… nada funciona! A dica é usar uma faca bem afiada e cortar rapidamente sem arrancar o dedo pra ardência passar logo. Masssss… você também pode aproveitar o momento e chorar mesmo, afinal dizem que chorar faz bem! Será???? Ou isso é outro mito? Eu voto na FACA AFIADA!

 

Um bom refogado só funciona se tiver fio de óleo ou banha. Não!!! Não precisa não… a cebola tem água e você consegue um ótimo resultado sem nada de gordura e se necessário… um fio de água! Juro que é verdade! Mas  minha vó Neuza sempre usava banha e o sabor de tudo que ela fazia era bom, muito, muito bom!

 

Sopa de pacote, aquela do mercado… é maravilhosa! Não, mas não mesmo!!!  Porém minha vó Rene preparava todo sábado a noite para seus 6 netos e era incrível! Naquela data, naqueles momentos em família, era muito boa sim!

 

Miojo faz mal a saúde. Verdade! É um macarrão frito com alto teor de sódio, gordura e conservantes na sua composição. Mas… fala aí… quantas vezes ele resolveu sua vida quando o tempo é inimigo da fome…Então eu voto que é MENTIRA porque muitas vezes me salvou! Mas ok… hoje não entra mais na minha cozinha! Então voto VERDADE???

 

Colocar açúcar no molho de tomate quando ele fica ácido, funciona??? Mito… Rola usar um pouquinho de bicabornato de sódio. Levei anos pra entender porque os molhos da vó eram sempre doces!

 

Esse truque a mamys que ensinou e usei por muito tempo (no passado) até  aprender que uma pitadinha de sal é uma pitadinha… e não meia concha! As batatas, quando colocadas em um molho muito salgado, funcionam como uma esponja, removendo o tempero. Depois, ela pode ser descartada ou usada em outros pratos sem sal. SUPERRRR VERDADE!!!

 

E você, tem alguma dica boa, verdade, “pulo do gato” na cozinha pra me contar?

 

Um beijo, Rafa

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