Sem categoria

O tempo e suas prioridades       

Sabe quando tudo que você planejou e desejou profissionalmente e como propósito de vida começa acontecer e um serumaninho de 6 anos começa a quebrar tuas pernas com perguntas e posicionamentos?

Então… tenho falado muito ao Bento sobre esse novo momento da nossa mini mas linda família, que vai exigir mais empenho dele nas tarefas da casa, que não fique triste com as ausências (mesmo eu estando literalmente ali, ali na cozinha e ele na sala…), que a mamãe está muito feliz, etc. etc….

 

Desafio 1:

“Olha mamãe, você diz que está feliz mas eu nunca vejo você sorrindo enquanto está trabalhando…”

Minha psicologia perde o prumo e vou pelo mais fácil… “É que a mamãe usa muito a faca e manipula as chamas do fogão… então se ficar sorrindo, vai se cortar ou se queimar…”.

Ok… ufa!!! Passei por essa!

 

Desafio 2:

“Mamãe, você sabe que eu estou de férias, né? Então… por queeeeeeeee é…. (quando a fala começa a ficar longa é porque vem bomba)… que você não faz como as outras mães que ficam com os filhosssssss (longo outra vez)… e brincam com eles nas férias? Você nunca tira férias?”

E agora Gzuis… Sim, ele entrou em férias e os amigos foram pra casas das avós, do pai, dos primos… Por mais amigos que tenhamos feito por aqui… é julho caraca!!! E as mães foram viajar com os kids… então poucos amigos estão aqui!

 

A minha Cozinha Bendito está no auge da produção e venda da linha de cremes e sopas… é inverno! E está frio, pela primeira vez em anos aqui… sinto frio. FOCO, FOCO, FOCO!!!! É hora de gerar renda e ainda levar carinho e afetividade em forma de culinária para meus clientes!

E o Bento? Onde fica nisso tudo se minha nova VidacomFarinha tem muito a ver com ele?

 

Então… das provocações dele surgiu a “COLÔNIA DE FÉRIAS DA TIA RAFA”, uma tarde (somente UMMMAAAA tarde), dedicada ao Bento com 9 de seus amigos, atividades externas, programação divertida, muitas brincadeiras e comidinhas! Por 20 pilas as crianças foram muiiiiiiiiiito felizes nesta tarde e eu também. Literalmente fechei a Cozinha e fui brincar de recreadora!

Na boa… foi bem legal… mas comecei a listar os aprendizados e rever a edição da próxima semana:

  • Nos divertimos muito;
  • Bento enxergou em mim a mãe participativa como sempre quis!
  • O $ arrecado pagou os custos da “Colônia”;
  • Os vizinhos não vieram bater aqui, até pq os convidei;
  • Meu resfriado virou gripe;
  • A dinâmica e didática se mostraram em harmonia com a expectativa das crianças;
  • Não… eles não conseguem assistir um filme inteiro… e não ficam em silêncio por 2 segundos, portanto… sem sessão de cinema na próxima se houver;
  • Sim, eles respeitam as regras pq ajudaram a construí-las;
  • Mesclar meninos e meninas na idade entre 6 e 7 anos… (que é a que estou vivendo), não é legal salvo que a Alice, minha linda vizinha de 9 anos esteja junto!

Enfim…

Abdicar de gerar renda por UMA TARDE   X    me divertir com o Bento nas primeiras férias de julho dele…  o que pesa mais?

Afinal, tempo é ou não uma questão de prioridade?

Um beijo da Rafa

 

 

 

 

 

 

 

FIM!!!! Ufa!

Sem categoria

O que tem na entrada da sua casa?

Essa é a estante que você encontra assim que entra na minha casa, fazendo uso do lugar que poderia ser de um objeto de decoração ou utilidade.

 

 

Na entrada da minha casa tem história, tem valores, tem a minha essência.

 

Nessa estante, livros de gastronomia, todos os livros que meu pai escreveu, álbuns de fotografia de mim quando criança, rádios muiiiiiiito antigos, equipamentos de fotografia, panela de ferro, latas de alumínio que serviam pra guardar os cereais na casa da vó.

 

Depois da estante, tem o cuco que não ouso dar corda, mas ele é bem lindinho. Perto dele tem outra estante… com os objetos que o pai juntou pelo mundo nas suas viagens ou coisinhas tolas que eram importantes pra ele. Minhas manas e eu guardamos tudo e eu uso como decoração… e ai da criança que colocar a mão nas coisinhas tolas… elas tem muito valor. Outro dia quebrei o boi bumbá vermelho e não consegui colar… a cada pouco penso na cara dele, a gente até tinha virado amigos. E não rola comprar outro igual… pq não será “tolo” e por isso, nem tanto valor.

 

As entradas das casas falam sobre seus moradores… de suas crenças, suas tolices importantes.

 

Escrevendo esse texto, observei que a minha… tem exatamente a cara da VidacomFarinha… Se alguém me perguntar, mas o que é VidacomFarinha… eu vou convidar a entrar na minha casa, olhar ao redor… sentar na mesa que não tenho…tomar um chá se for dia, ou vinho se for noite… e a pessoa pode fazer perguntas a partir desse olhar.

Como é a entrada da sua casa?

Um beijo da Rafa!

 

#vidacomfarinha

 

Sem categoria

Por mais afetividade no Dia Mundial do Combate ao Câncer

Esses dias uma história em Joinville/SC, cidade fofa onde escolhi morar… mobilizou todo mundo… e virou notícia nacional. Um jovem em tratamento da ala oncológica, literalmente fugiu do hospital para comer um hambúrguer, daqueles de rede de fastfood, sabe? Atravessou a rua, andou um pouco mais… e comeu. Comeu, comeu… com aquele gosto e vontade como se fosse sua última refeição. Depois voltou ao hospital para continuar seu tratamento com um alimentação apropriada, mas confesso que acho bem sem graça de sabor. Isso foi há umas 3 semanas… e ele faleceu semana passada.

Essa história mexeu muito comigo. E tenho certeza que se alguém já passou por isso, (ter um familiar ou amigo com câncer em último estágio), vai entender meu relato.


Meu pai foi diagnosticado com câncer avançado em setembro de um ano desses… que parece que foi ontem. Era no estômago e esôfago. Descobriu após se engasgar comendo uma refeição muiiiiiiiita afetiva preparada por minha mãe. Receitas da vó, mãe dela. Era galinha caipira com molho, macarrão caseiro com o molho da galinha… salada de maionese! E ainda tinha sobremesa… o sagu e creme, receitas da minha outra avó… a mãe do pai. Então pensa na refeição!!!

Ele operou e tirou os órgãos afetados. No período de recuperação ele usou sonda e perdeu totalmente o paladar. Isso pra mim doeu mais que um tiro no coração… Meu parceiro de aprontadas culinárias não sentindo sabor de nada? Gzeuis…

Os últimos dias de vida dele foi conosco, as três filhas. E mesmo sabendo que ele não sentia nada de sabor, ele nos enganava e pedia cardápios especiais. E a gente (eu), fazia! E na “mentirinha do bem”, todos ficavam felizes.

Na quinta-feira a gente deu chimarrão pra ele… na sexta cachorro quente (ele exigia ser a minha receita… a que sempre comida com muito gosto e prazer), no sábado ele fingiu comer a feijoada que tinha pedido no almoço… e na tarde daquele mesmo dia tomou um pouco de vinho. Por volta de 23h50… desse mesmo sábado, ele morreu.

Essa doença é horrível, é dolorida, machuca todos que convivem com o paciente, dói, dói… E até hoje não superei a perda do pai. Me agarro em algo que conforta meu coração… minha culinária afetiva sempre foi reconhecida por ele e fez parte dos seus últimos momentos de vida.

Mesmo em processo de partida, ele foi generoso comigo, muito generoso… foi como se dissesse… “filha, amo você, acredito em você, cozinhe, cozinhe… e leve carinho através da comida pelo mundo”.

E a Cozinha Bendito nasce anos depois.

Obrigada papys, o Cabeça Branca do Bento!!!

Rafa


1 2 3 4 9
vidacomfarinha no instagram
© 2021 VidacomFarinhaDesenvolvido com por