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Dia da Mentira: mitos e verdades da Culinária Afetiva

Meu filho Bento tem seis anos, ele adora o dia 1º de abril. Espera ano após ano por essa data, o “Dia da Mentira”. Afinal, é quando ele “trolla” os primos que moram em Campo Grande (MS). Para eles, ah, é uma diversão única. Por isso, toda família se mobiliza para promover esses momentos imperdíveis e hilários.

Porém… confesso que bem diferente dos pequenos, eu não gosto naaaaaaaaaaaaada da data, desde sempre!!! Não gosto de pegadinha, não acho graça, me sinto tirada pra boba…Que chata eu, né? Diz o Bento que sou CHATONILDA.

Tá… e o que isso tem a ver com a Culinária Afetiva?

 

Me dediquei hoje a relembrar os truques que me contaram como sendo verdade e super válidas e úteis. Aquelas verdades de família, sabe? “Eu sei porque minha avó disse pra minha mãe que me ensinou… Eu li no Google, minha tia faz assim e funciona!!!”

Veja se você se enxerga em algum exemplo desses:

É possível não chorar cortando cebola. Mentira!!! Me ensinaram a colocar óculos (pode ser de sol…kkk), deixar um copo de água ao lado, pular 7x, cortar embaixo da água (não faço ideia como isso poderia dar certo)… Mito, mito… nada funciona! A dica é usar uma faca bem afiada e cortar rapidamente sem arrancar o dedo pra ardência passar logo. Masssss… você também pode aproveitar o momento e chorar mesmo, afinal dizem que chorar faz bem! Será???? Ou isso é outro mito? Eu voto na FACA AFIADA!

 

Um bom refogado só funciona se tiver fio de óleo ou banha. Não!!! Não precisa não… a cebola tem água e você consegue um ótimo resultado sem nada de gordura e se necessário… um fio de água! Juro que é verdade! Mas  minha vó Neuza sempre usava banha e o sabor de tudo que ela fazia era bom, muito, muito bom!

 

Sopa de pacote, aquela do mercado… é maravilhosa! Não, mas não mesmo!!!  Porém minha vó Rene preparava todo sábado a noite para seus 6 netos e era incrível! Naquela data, naqueles momentos em família, era muito boa sim!

 

Miojo faz mal a saúde. Verdade! É um macarrão frito com alto teor de sódio, gordura e conservantes na sua composição. Mas… fala aí… quantas vezes ele resolveu sua vida quando o tempo é inimigo da fome…Então eu voto que é MENTIRA porque muitas vezes me salvou! Mas ok… hoje não entra mais na minha cozinha! Então voto VERDADE???

 

Colocar açúcar no molho de tomate quando ele fica ácido, funciona??? Mito… Rola usar um pouquinho de bicabornato de sódio. Levei anos pra entender porque os molhos da vó eram sempre doces!

 

Esse truque a mamys que ensinou e usei por muito tempo (no passado) até  aprender que uma pitadinha de sal é uma pitadinha… e não meia concha! As batatas, quando colocadas em um molho muito salgado, funcionam como uma esponja, removendo o tempero. Depois, ela pode ser descartada ou usada em outros pratos sem sal. SUPERRRR VERDADE!!!

 

E você, tem alguma dica boa, verdade, “pulo do gato” na cozinha pra me contar?

 

Um beijo, Rafa

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UMA RECEITA AFETIVA JAMAIS SERÁ VELHA OU ULTRAPASSADA

Sabe quando aquele potinho de amor que mora no coração da gente se enche de carinho? Daquele tipo que nossos olhos se enchem de lágrima e mil histórias do passado voltam na sua mente?

Então… uma amiga muito especial, a @veraperes, minha Verinha… juntou livrinhos de receitas antigos, guardados com muito zelo por ela e pela família… e me mandou pelos Correios como presente.

Todos os dias eu esperava a mocinha de bike com aquele uniforme amarelo e azul entregar meu envelopinho afetivo, até que ela entregou!

Me dediquei a ler as receitas e olha… que coisa mais divertida e ao mesmo tempo emocionante. São livrinhos de 13, 15, 25 anos atrás… e como a cozinha era diferente!!! Era simples, muito simples… com ingredientes bem restritos e repetitivos. Tomate, cebola, salsinha, sardinha, orégano, queijo… sempre presentes! Cenoura era raro… pelo menos nos livrinhos da Verinha!

Uma coisa que me chamou muiiiiiiiiito a atenção… é que tudo era “batumado”… você vai ver nas fotos! Acho que era moda…

Mas enxerguei potencial em inúmeras receitas. E com o conhecimento que tenho hoje, deixarei as massas das tortas mais leves e incluirei outros legumes e verduras.

Uma coisa não mudou… e jamais vai mudar pra mim! O carinho e respeito com o alimento de quem escreveu as receitas… é totalmente afetivo e atual.

Obrigada @veraperes, você me fez muito feliz por horas, horas… e tantas outras horas que usarei as revistinhas pra reproduzir as receitas!

Um beijo, da Rafa!

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Como preservar as memórias que importam

Sentei-me no chão e comecei a tirar as coisas que estavam embaixo da pia, na casa da minha falecida avó. Fazia 4 dias da sua partida. Essa foi a primeira vez que entramos no apartamento depois de sua passagem. Estávamos eu e a Tita – tia que há muito tempo vivia mais próxima da vó Renê.

Velhas panelinhas de tampas vermelhas, potes de alumínio onde ela guardava banha, arroz, feijão – tudo identificado por uma fita com a inscrição do que vinha ali dentro. Fui tirando tudo debaixo da pia, olhando com calma e colocando ao meu lado, ali no chão.

Eram vários itens que, pra quem é mais desapegado, não significaria muita coisa. Mas eu, feliz ou infelizmente, faço parte da categoria de ser humano apegado às memórias. Se algo me leva de volta a algum lugar do passado, se me provoca aquele quentinho no peito ou me causa brilho de saudade nos olhos, pra mim tem muito valor.

Fui para os outros armários da cozinha. Encontrei um vedante de garrafa de refrigerante –  aqueles que a gente usava para não deixar o refri perder o gás depois de aberto, lembra? Minha avó ainda tinha um desses.

Sabe-se lá porquê, ela não tinha jogado fora. Talvez porque, assim como eu, vó Renê não conseguia se desapegar de momentos do passado que ainda morava em objetos. Talvez o velho prendedor de gás já não prendesse mais gás nenhum, mas mantinha preso a ele memórias que para minha vó ainda eram tão importantes quanto o gás do guaraná de garrafa.

Dentro de um outro armário, uma tesoura de cortar frango me surpreendeu. Acho que eu nem lembrava que aquilo existia.  Ao encontrar a tesoura, lembrei que um dia fomos nós os abatedores dos animais. Matávamos no quintal, depenávamos na cozinha, limpávamos e cozinhávamos. Houve um tempo em que a indústria da carne ainda não nos oferecia tanta “comodidade”.

Minha avó viveu num tempo onde a conexão com alimento ainda existia de maneira muito forte. Animais não vinham com código de barras, eles cresciam perto de nós. Alimentos processados eram processados dentro de casa, por nossas próprias mãos. Legumes e verduras vinham da quitanda ou da horta. Agrotóxico ainda não causava polêmica.

Respeitando a hierarquia familiar, pedi permissão à Tita para manter aquela tesoura numa caixa e depois consultar os primos sobre o que fazer com todos objetos.

Achei a pequena tábua onde o vô cortava queijo pra gente; vermelha de um lado e amarela do outro. Achei a irmã mais velha da pequena tábua – uma tábua maior, vermelha e azul. Curioso como as cores e texturas de uma tábua de plástico me fizeram lembrar do som da voz, do cheiro, do humor do meu avô.

Que afortunados somos nós, humanos, por poder reviver momentos a partir de pequenos estímulos, como o de uma pequena tábua de cortar queijo, do vermelho de uma tampa de panela velha ou de uma tesoura meio enferrujada.

Naquele dia, já de tardinha, ao deixar a casa da vó Renê, mandei uma mensagem para os primos dizendo que eu desejava ficar com muitos daqueles objetos. Pedi a permissão de todos e prometi cuidar respeitosamente de tudo.

Uma panela de pressão de 3 litros, pequena e muito fofa, uma chaleira elétrica, panelinhas coloridas, latas de alumínio com fitinhas. Objetos como estes serão usados por mim ou servirão de decoração no Espaço Farinho – um espaço que em breve fará parte da minha VidaComFarinha.

Nunca falei sobre o Espaço Farinho aqui porque ele ainda está na fase de prototipação. Será um espaço para compartilhar conhecimento, histórias, receitas e tudo que for relacionado à comida e que sirva de tempero para a vida. Como as boas memórias.

Quando ganhar vida, o Espaço Farinho já nascerá cheio de carinho,  afetividade e amor. Muito do amor da vó Renê estará presente neste espaço. Presente em forma de memória afetiva, como sempre.

Obrigada vó, por tudo que fez por nossa família! Suas  memórias estarão preservadas e seguirão em família!

Um beijo, da Rafa


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