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Batata Mágica

O que acontece quando você espreme uma batata? Ora, uma batata é só uma batata e quando você a espreme ela pode virar purê, recheio, massa. Isso é o que acontece com a batata, mas o que acontece com você quando você espreme uma batata?

Uma batata espremida criou efeitos e resultados inesperados para mim e para todas as batatas que fossem cruzar o meu caminho dali pra frente. Isso aconteceu em um curso de massas frescas, numa noite qualquer de meio de semana.

Poderia ser apenas mais um dos cursos entre tantos outros que eu vinha fazendo no meu ano sabático. Aliás, além de cozinheira, posso me chamar de curseira profissional – nunca fiz tantos cursos num período tão curto de tempo. Nunca investi tanto em mim e nas coisas que me dão prazer.

Curso de barista, curso de aquarela, curso de costura, alguns cursos sem a mínima chance de continuidade (porque eram só testes mesmo, e eu descobri que não sou boa em muitas coisas), curso de fotografia de comida, curso de marketing em rede social, vários cursos de gastronomia, curso de chef, curso de cozinheira, curso de culinária plant-based e, finalmente, o curso onde a batata se tornou protagonista – o curso de massas frescas.
Uma batata sozinha é somente uma batata, mas quando ela encontra a farinha e se junta com o ovo, isso é quase um milagre. Foi esse o milagre que aconteceu depois da batata espremida. Eu comi aquele nhoque do curso como se fosse a última refeição da minha vida: se eu morresse ali, a sensação seria de morte com dever cumprido.

Naquela mesma noite aprendi uma receita de um molho de linguiça com bacon, que usava ervas frescas. Quase chorei quando provei. E foi nesse momento, depois do nhoque com este molho, daquela vibração e explosão de sabores dentro de mim que eu me lembrei de uma vida inteira. Uma vida inteira que eu não vivi. Era como se eu estivesse em débito com a vida, vivendo propósitos que não eram meus, fazendo coisas que não faziam sentido e atendendo a pessoas que não importavam.
Fazer nhoque é algo demorado, cheio de truques. Mas se alguém ama servir, o faz sempre com carinho. E eu tenho ótimas memórias dentro de mim sobre servir com carinho, memórias que vem à tona quando eu amasso batatas, quando afundo a mão no saco de farinha, enquanto toco uma massa.

A batata amassada e aquele molho resgataram em mim a necessidade de voltar a atividade de viver, para replicar as receitas que aprendi ao longo da vida. E essa do nhoque com molho de linguiça e bacon eu te ensino agora!

Nhoque para 4 pessoas:
700g de batata asterix, aquela de casca rosa, sabe?
300g de farinha de trigo, bem pouco. Você vai usar o quanto baste para conseguir fazer rolinhos sem grudar na mesa ou na mão. Não leve essa medida à risca.
1 ovo
80g de queijo parmesão ralado
Noz moscada e sal a gosto.

Molho, para essas mesmas pessoinhas:

500g de linguiça suína fresca. Eu estou usando linguiça campeira… uma delícia.
200g de bacon
Alho e cebola para o refogadinho (pouco)
500ml de molho de tomate caseiro – outro dia te ensino como fazer!
4 tomates sem pele e sem sementes – ainda chegará o dia que eles nascerão pelados e sem semente! Isso aqui dá um trabalho!
100ml de azeite de oliva
100ml de vinho branco seco
2 folhas de louro, 1 ramo de tomilho
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Coloque tudo isso na sua bancada de trabalho e vamos começar a brincadeira!

Preparando o nhoque:
Cozinhe as batatas com a casca pra não aumentar a umidade dela. Tire a casa, amasse. Deixe esfriar. Não pode usar ela morna, senão o gluten faz a festa! Deixa esfriar.
Tempere a batata com sal e noz moscada, jogue o queijo ralado e o ovo. Misture com colher. Não é pão… não use as mãos para sovar.
Vá colocando o trigo, devagarinho… mistura com carinho com a colher até ficar no ponto que você poderá fazer rolinhos na mesa.
Polvilhe a mesa, faça rolinhos e corte com faca sem serra. Polvilhe com trigo.
Ferva água, não precisa colocar sal porque já tem no nhoque. Coloque de pouco em pouco. Quando subir, conte 30 segundos e jogue dentro de uma tigela com água gelada para dar um choque térmico. Daí coloque num refratário e jogue um fio de azeite.
Faça isso na hora de servir que fica muito melhor!

Fazendo o molho:
Refogadinho de alho e cebola, junte o bacon picadinho e deixe dourar. Depois junto a linguiça que você deverá ter tirado a pele e espremido com garfo para ficar um tipo de linguiça moída, sabe? Junte o tomilho, alecrim e louro. Deixa fritar bem.
Agora coloque o vinho e espere evaporar. Abaixe o fogo, coloque os tomates que você cortou em cubos, o molho de tomate e deixe cozinhar por 30 min.
Veja se precisa de sal, as vezes basta com o tempero do bacon e da linguiça. Mas coloca a pimentinha!

Palmas para a Chef Alessandra Silveira, lindinha professora e coordenadora da Escola de Gastronomia Carême, em Joinville/SC, que me ensinou a fazer o nhoque. Já o molho, gratidão infinita ao Chef Rodrigo, professor do Senac e da Carême também!

Viu como da trabalho? Por isso eu agradeço muito, beijo e abraço bem apertado quem faz nhoque pra mim!

 


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