Sobre a Rafa

Caçadorense com muito orgulho, catarinense por força geográfica e por escolha. Já estive em 16 CEPs diferentes. Sempre fui para onde achei que tinha que ir –  por vontade própria ou porque alguém disse que era pra eu ir, fosse para estudar, para trabalhar, para trabalhar, para trabalhar. E para trabalhar mais.

Sou mãe do Bento, um garotinho de 5 anos de idade.

Acabei de completar 42 anos. Há dias atrás, resgatando memórias importantes para montar o quebra-cabeça da minha trajetória até aqui, me vi pequena em lembranças de um passado distante.

Vi uma neta encantada pelo fogão a lenha na casa da vó Neuza, onde passei anos ao redor, apreciando ela preparar o arroz branco que até hoje não sei dar o ponto como ela. Era feito numa panelinha de ferro que ainda vou herdar (ou roubar).

A Rafa pequena, dessas memórias, era também neta da vó Rene, que preparava um arroz de forno maravilhoso.

Vi a Rafa, filha do Nilson, que fazia o pior churrasco do mundo, mas que pra ela era o melhor. Bastava ficar perto dele enquanto a carne assava para que seu churrasco fosse o melhor do mundo.

Vi a Rafa, filha da Val que nunca tinha muito tempo de cozinhar, mas preparava um menu vasto e impecável diariamente. Ela nem faz ideia de como é excelente cozinheira!

Vi a irmã da Michelle, que também participava das mesmas experiências gastronômicas mas que hoje prefere tomar cápsulas de astronauta a preparar uma comida.  Já a irmã Pollianna, cozinheira formada, hoje, quando me olha, senta e pergunta: “o que você vai cozinhar agora?”

No meio dessas memórias aparece também a tia Nena, que sempre fez o melhor pastel de carne do mundo. Aparece também a Tita, que sempre arrumava a mesa porque o cozinheiro era o tio Paulo. Mas a maionese de batatas dela… essa eu lembro bem.

E a tia Dina, que fazia parte da minha turma – a turma dos que comeram até precisar fazer cirurgia bariátrica, mas que sabe, como ninguém, receber amigos em casa. A tia Jane, casada com o tio Nenê, ganhou autonomia na vida depois que passou a cozinhar pra fora e olha, quantas delícias ela prepara!

As mulheres da minha família sempre tiveram grande influência na minha vida e fui muito impactada por elas quando o assunto era comida.

Olhando para todas essas memórias, vejo que só aos 42 escolhi viver a minha vida dos meus sonhos, das minhas melhores memórias. Só agora me permitir ousar.

Joguei tudo pro alto para me reencontrar. E não teve jeito… a cozinha sempre esteve em mim, sempre me rodeando,  até eu me entregar a ela.

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Como você pode ver, muito das minhas memórias afetivas vêm da cozinha, do comer, do conversar na cozinha, do correr em volta da mesa.  O que eu estou fazendo hoje é transformar tudo isso em um trabalho que retribua a minha gratidão por essas experiências ao mundo.

Se puder tornar 10 minutos do dia complicado de um executivo em amor, reconfortante e com resgate de memórias importantes através de uma garfada, isso já valeu o dia. Quero cozinhar e servir sempre com energia boa e nutrientes importantes para a vida.

Seja bem-vinda e bem-vindo a esta nova vida que pretendo compartilhar bastante; uma vida com farinha, com sal, trigo e tudo o que vem da terra e do meu suor. Tudo o que eu tenho feito e que tem me feito bem e feito bem a outras pessoas.

Até breve,
Rafaela Thomé

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